História

Golden Retriever – A “Verdadeira” História

Contam os livros que o golden retriever nasceu de um punhado de cães amarelos russos que, levados a Inglaterra, foram cruzados com outros, para chegar ao tipo que tem hoje.

Narram os especialistas, também, que o nome da raça deve-se ao fato de serem cães que têm a pelagem predominantemente dourada; dão­ o golden no seu nome, palavra que se refere a essa cor, em inglês.

Já, a palavra retriever, que significa “aquele que resgata”, “apanhador”, alude, segundo as enciclopédias, ao fato de o cão ter sido utilizado para trazer com a boca a caça abatida, que caí na água, já sem vida, depois do tiro do seu algoz. Ele a apanhava e a trazia ao seu dono.

Por isso o nome de “apanhador dourado”.

Até poderia ser tudo verdade, não fosse outra e menos simples – a história verdadeira.

Para retratá-la em detalhes fidedignos, bem como para que se entenda de onde surgiu o nome golden retriever, que tem mais significado e sentido do que a própria etimologia da palavra sugere, precisamos voltar ao século XIX, numa casa de campo na Europa insular.

Madame Majoribanks estava farta de brigar com seu marido, Sir Dudley Majoribanks, ou Lorde Tweedmouth, título pelo qual o nobre era mais conhecido.

Todos os dias, era a mesma coisa: o nobre aristocrata inglês saía para cuidar das fábricas e fazendas e voltava tarde para casa, ansioso pelo jantar.

A mulher ficava só, coordenando os empregados e rodeada dos cães perdigueiros, setters e spaniels do marido, como era comum na Bretanha de cento e cinquenta anos atrás, entre as famílias de sangue azul.

Madame Majoribanks, todavia, não podia convidar suas amigas, a Condessa de Wiltonshire e a Duquesa de Canternorthburg, para um copo de chá, ao cair da tarde.

Só que os cães, alvoroçados, não deixavam os convidados em paz. Se entrassem em casa, pulavam nos sofás e poltronas, derrubavam o chá com seus rabos, e não paravam de se esfregar nas visitas. Se ficassem do lado de fora, preso ou soltos, não importa, não paravam de latir. De noite, com a volta do marido, os cães novamente se ouriçavam.

E nem ele, nem os cães se interessavam pela esposa.

Madame Majoribanks viu, então, que depois de dez anos de casamento, com prosperidade, lavouras, fábricas e ….cães, muitos deles, sua relação com o marido estava por um fio.

Eles nem mais se olhavam nos olhos. Apáticos, apenas se cumprimentavam num ritual mecânico de “bom dia, olá, tudo bem com você hoje?”. E não havia solução para esse problema.

Até que, num sábado qualquer, o marido saiu cedo para caçar com os amigos barões, levando os cães consigo, como de hábito.

A esposa, então, se produziu, chamou a pajem, e foi a cidade com ela. A carruagem as levou para uma Londres escura e chuvosa, onde viram um desfile colorido pelas cinzentas ruas. Era a companhia de circo russa, recém-chegada à  cidade.

Atraídas pela música e pelos artistas, malabaristas e bailarinos, as duas seguiram o cortejo até a entrada do circo.

Lá, no picadeiro, as damas viram a exibição de oito cães amarelos de pêlo longo, que obedeciam fielmente ao seu treinador.

Encantada, Madame Majoribanks conversou com o dono do circo, que lhe contou ter encontrado os cães nas montanhas do longínquo Cáucaso, e não demorou muito a treiná-los. Numa atitude impulsiva, e sempre pensando em agradar o marido, que tanto apreciava cachorros, ela  ofereceu uma boa quantia em dinheiro, ouro e jóias por dois dos cães amarelos.

O dono do circo resistiu à  oferta, que foi triplicada, e ele acabou vendendo não só dois, mas os oito cães ao Lorde Tweedmouth, que sequer sabia daquela aquisição.

No cair da noite, Madame Majoribanks chegou à  sua propriedade levando os cães consigo.

O marido já a esperava nervoso e aborrecido, quando ela desceu da carruagem e lhe ofereceu os animais como presente. O Lorde resisitiu, esboçou um sorriso sem graça e, por fim, esbravejou: – nossa, o que vou fazer com esses cães sem raça? Já tenho spaniels e setters das melhores linhagens…vou ter que aguentar esses cães amarelos agora?

E, nos dias que se seguiram, o casal se afastou mais.

A mulher ficou triste porque o marido não gostou dos cães e o marido bravo, porque a mulher não comprou bloodhounds, que eram ótimos sabujos farejadores, ou greyhounds, fabulosos velocistas.

Mas os cães foram muito dóceis com todos.

Os outros cães, os criados, e até a Condessa de Wiltonshire e a Duquesa de Canternorthburg, passaram a achá-los companhias agradabilíssimas. Afinal, diferentemente dos outros cachorros, eles faziam companhia quietos para a esposa durante o dia de trabalho.

Um dia, o Lorde Tweedmouth partiu para uma caçada e os cães foram juntos.

Eles não eram exímios farejadores, como os sabujos e os spaniels, mas, quando os marrecos foram alvejados e caíram nágua, os animais foram até lá mais rápido que os outros cães e trouxeram ao Lorde a caça, sem danificá-la, ao contrário do que os water spaniels faziam. Pela primeira vez, Lorde Tweedmouth ficou feliz e afagou a cabeça do mais peludo deles, chamado Nous.

Sir Dudley voltou para casa e, pela primeira vez em semanas, falou com a mulher, entusiasmado. Contou dos cães amarelos e do que haviam feito. Naquele dia o Lorde deixou que os cães amarelos dormissem ali, em volta da sua cama. E eles ficaram lá, dormindo. Nous, literalmente no pé do casal.

No dia seguinte, quatro dos cães acompanharam o Lorde ao trabalho nas fazendas e os outros ficaram em casa com a esposa, que mandou preparar e servir os patos da caçada. E ela e o lorde, pela primeira vez, em muito tempo jantaram juntos. Sorridentes. A alegria, subitamente, voltava a casa. Os tempos dourados estavam voltando.

Os cães amarelos trouxeram a alegria de volta ao lar dos Tweedmouth. A madame agora tinha companhia quando o marido saía para trabalhar e quando recebia sua amigas para o chá das cinco. De noite, o casal era feliz junto, com Nous e os outros cães amarelos ao redor. E naqueles anos que se seguiram a alegria reinou e os Tweedmouth tiveram filhos. Foram anos dourados.

Os cães amarelos resgataram a felicidade daquela família, que estava perdida, distante. E dão­ ficaram eles conhecidos por “golden retrievers”. O golden em alusão aos anos dourados e momentos tão preciosos que esses cães proporcionaram aos Tweedmouth. E o retriever, em homenagem à queles que resgataram e trouxeram a felicidade de volta à  família de Sir Dudley e Madame Majoribanks.

E ainda hoje é assim: por onde passa, o golden retriever apanha e traz a felicidade, transformando em anos dourados aqueles que virão, para os donos e para todos aqueles que os rodearem e estiverem em sua companhia.

Ah…e quanto aos cães russos, conta a lenda que eles cruzaram com os water spaniels, os setters e até com bloodhounds dos vizinhos, formando uma linda e grande família amarela, que povoou de alegria, companheirismo, docilidade e inteligência os quatro cantos do mundo.

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Artigo fictício escrito por Alfredo Migliore.
Alfredo cria Golden Retrievers em parceria com o canil Golden Trip e é o feliz proprietário de vários cães campeões.

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